domingo, 7 de março de 2010

Chiado II (cont.)



Era eu, os caracóis não enganavam – rimos os dois – outra era ela, pequenina e com o vestido amarelo que lhe deste e a outra pessoa…-fez outra pausa – eras tu definitivamente eras tu, também com um vestido amarelo, e foi ai que percebi. Tu já fazes parte da vida dela, mais que qualquer outra pessoa que eu conheça. És a referência dela. E és importante para mim. Muito mais do que pensava. – Por momentos fez outra pausa e continuou, só que agora numa voz mais divertida. Dirigiu-se a mim, como se quisesse disfarçar o que tina acabado de contar.
-Já reparas-te onde estamos?
- Chiado?
-Olha á tua volta. Consegues ver algo de diferente?
-Sim, mas ainda não…-de repente percebi. Arua estava deserta. Arua mais movimentada que eu conhecia estava só, alem de mim e do Mário. Ele percebeu a minha cara de surpreendida e riu-se.
- Está…deserta! Como…Como é que tu sabias…conseguis-te?
-Eu sei que não gostas de Lisboa, sei que não gostas da confusão da cidade, que não gostas da indiferença das pessoas, que gostas do silêncio…e agora tens este momento só teu. Tens a oportunidade de apreciar Lisboa, como um dia te prometi, mesmo que fiquemos só por esta rua – disse de forma divertida mas embaraçada.
Agora estás só tu e Lisboa, podes apreciar o seu silêncio, tens a minha atenção…e ela será menos confusa para ti. A cidade saberá agradar-te.
-Eu não sei que te dizer – Agora estava emocionada. Aquelas palavras e atenção dedicada, aquela rua deserta…era mais do que alguma vez esperaria.
- Diz o que sentes.
- Isto é único, especial, é…bom, muito bom…obrigado Mário. – Ficamos em silêncio, por momentos, ambos aproveitamos aquele silêncio. Eu queria aproveitar todos os segundos que restavam daquele silêncio e liberdade. Não sabia quando seríamos interrompidos. Gostava de saber como ele conseguiu, mas isso estragaria a magia que ele proporcionou-me. Depois fixei-me em Mário e naquilo tudo que me tinha dito, principalmente sobre Leonor.
Mais uma vez, interrompeu-me os pensamentos e continuou o que tinha deixado a meio á pouco. Dirigiu-se para mais perto de mim.
-Perguntei á Alice o que te deveria dar para agradecer tudo o que tens feito por nós, e sinceramente, não esperava a resposta que me deu. Pensei que fosse dizer um vestido amarelo – sorrimos – mas não. Disse “um beijo”. Perguntei-lhe porquê, e ela disse que quando eu queria mostrar que gostava dela, que lhe enchia de beijos, e que nunca me viu a dar-te um. Achei…perfeito. – Sorrimos. Neste momento, estava comovida.
-Ela sempre foi esperta. Ela sabe que gosto de coisas simples. Ela conhece-me. Mas Mário…não tens o que agradecer…vocês neste momento são tudo para mim. Vocês fazem parte da minha história aqui, é que…
- Decididamente…- interrompeu-me – quero dar esse beijo.
- Ah…- cheguei perto dele e dei-lhe um beijo na face e sorri-lhe, esperando pelo dele. Mário riu como se eu tivesse acabado de fazer um disparate. A cara de riso dele em dois segundos ficou seria. Nisto aproximou-se mais um pouco, sem nunca tirar os olhos dos meus. O meu coração deu sinais de vida. Mário era tudo o que eu sempre esperei, sem saber que esperava. Beijou-me. Quando dei por mim, estava a beijar Mário, em lisboa, numa rua só para nós. Mas interrompi-o.
-Mário…disses-te que no desenho éramos três pessoas e um cão…mas tu não tens cães.
- Acho que vamos ter de ir buscar um a caminho de casa…Ah e tem de ser…amarelo.
Rimos e beijamo-nos outra vez.
(…)

Ana Vieira

1 comentário:

  1. gostei muito desta historia..
    parece grande mas acaba por nem ser...tens um blog mt lindo.
    vou passar a ver aqui mais vezes comentar..hehe
    bjs

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